sábado, 22 de junho de 2019

Dividendos para iniciantes. Como começar a investir com base neste fundamento.

Dividendos para iniciantes. Como começar a investir com base neste fundamento

Advertência: Conteúdo meramente educativo, não representa orientação de compra ou venda.

Falemos brevemente sobre um aspecto frequentemente ignorado pelos especuladores e "traders de face" no Brasil, mas extremamente importante para os investidores sérios, sejam iniciantes ou experientes: Os dividendos.
Dividendos são a parcela do lucro que a companhia divide com cada um de seus acionistas, possuam eles 1 única ação ou milhões de cotas.
Segundo a Lei das S.A. (Lei 6.404/76), a distribuição dos dividendos deve ocorrer da seguinte forma:

Art. 202. Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto ou, se este for omisso, a importância determinada de acordo com as seguintes normas:                 (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001)                  (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013)                  (Vide Lei nº 12.838, de 2013)
I - metade do lucro líquido do exercício diminuído ou acrescido dos seguintes valores: (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001)
a) importância destinada à constituição da reserva legal (art. 193); e                       (Incluída pela Lei nº 10.303, de 2001)
b) importância destinada à formação da reserva para contingências (art. 195) e reversão da mesma reserva formada em exercícios anteriores;                    (Incluída pela Lei nº 10.303, de 2001)
II - o pagamento do dividendo determinado nos termos do inciso I poderá ser limitado ao montante do lucro líquido do exercício que tiver sido realizado, desde que a diferença seja registrada como reserva de lucros a realizar (art. 197);                     (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001)
III - os lucros registrados na reserva de lucros a realizar, quando realizados e se não tiverem sido absorvidos por prejuízos em exercícios subseqüentes, deverão ser acrescidos ao primeiro dividendo declarado após a realização.                    (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001)

Assim, o estatuto é soberano para definir quanto será pago, não havendo obrigatoriedade de pagamento de um mínimo legal, salvo se o estatuto se omitir em definir valores.
Segundo o investidor e jornalista Décio Bazin (Livro Faça Fortuna com Ações), uma boa companhia é aquela que paga pelo menos 6% de dividendos regularmente, adotado este valor tendo em vista que esta é a taxa de juro de renda fixa que um investidor pode obter no mercado, sem correr nenhum risco.

Já Benjamin Graham (O Investidor Inteligente, pág. 139) afirma que baixos dividendos em boas empresas é um sinal claro de que o ativo está supervalorizado, portanto seria arriscada a compra naquele momento.
Ademais, Graham também afirma a necessidade de pagamento regular da distribuição de lucro, sendo isso um sinal de possível saúde financeira passada (até o momento da distribuição).
Em websites de pesquisa de fundamentos é possível verificar a % de dividendos pagos por cada ação e a regularidade deste pagamento:


Neste exemplo temos a companhia Vulcabras (VULC3) que não distribui dividendos desde 2011, uma vez que passou por séria crise financeira e prejuízos, mas que se reestruturou nos últimos anos e voltou a apresentar lucros.
Este seria um caso de opção atraente de compra uma vez que a empresa ainda não paga dividendos, mas a volta da distribuição de lucros é a tendência no longo prazo, caso a empresa continue na boa rota em que se encontra.
Assim, uma parcela da carteira (ações escolhidas pelo investidor) pode conter empresas que ainda não pagam dividendos, mas que apresentam um futuro possivelmente promissor.

De qualquer forma, entendo que uma carteira segura deve focar em empresas boas pagadoras de dividendos, com endividamento baixo, boa margem de lucro e baixo preço em relação ao valor intrínseco.
Ademais, é recomendável, tanto a jovens iniciantes com pouco capital quanto a investidores maduros, e mesmo a pessoas mais velhas iniciando agora, que não se foque somente em ações, mas sim que se diversifiquem os investimentos em várias classes de ativos, como no exemplo a seguir:

- Tesouro Direto pré-fixado longo prazo: 50%
- Fundo de emergência: 5%
- Fundos Imobiliários (Fiis): 25% (divididos em pelo menos 10 ativos de setores diferentes, entre Shoppings, logística, residêncial, papel, lajes corporativas, etc).
- Ações: 20% (divididos em pelo menos 20 ações de setores diferentes, com ênfase em empresas sólidas e boas pagadores de dividendo, não devendo as especulações superarem um quinto da carteira).

Neste exemplo, entre as 20 ações escolhidas, um quinto pode ser de empresas para especulação, que podem eventualmente render um lucro diferenciado, como por exemplo Via Varejo (Casas Bahia) ou empresas em péssima situação que podem talvez se recuperar, como Oi ou Eternit.
Porém é preciso ressaltar que só se pode alocar neste tipo de ativo uma quantidade pequena de dinheiro, em relação ao todo do patrimônio do investidor.

Por exemplo, se o investidor possui R$ 100.000 divididos da seguinte forma:

- Tesouro Direto pré-fixado longo prazo: R$ 50.000.
- Fundo de emergência: R$ 5.000.
- Fundos Imobiliários (Fiis): 25% R$ 25.000, (divididos em pelo menos 10 ativos de setores diferentes, entre Shoppings, logística, residêncial, papel, lajes corporativas, etc).
- Ações: 20% R$ 20.000 (divididos em pelo menos 20 ações de setores diferentes, com ênfase em empresas sólidas e boas pagadores de dividendo, não devendo as especulações superarem um quinto da carteira).

Então os R$ 20.000 das ações NÃO devem ser divididos igualmente entre ações sólidas e saudávels e ações de especulação. Do contrário, o percentual deve ser equivalente ao grau se solidez do ativo, conforme o exemplo abaixo:

- 5 ações boas pagadoras de dividendos: R$ 2.000 em cada, total de R$ 10.000.
- 10 ações intermediárias com boa saúde financeira: R$ 800 em cada, total de R$ 8.000.
- 4 ações de expeculação com possibilidade de retornos acima da média: R$ 500 em cada, total de R$ 2.000.

Assim, perceba-se que o investidor arrisca no total apenas 2% de seu capital total, e apenas 10% de seu capital em ações.
Com tal porcentagem é possível não somente obter bons lucros com baixo risco, mas percorrer o período de aprendizado natural com mínimos choques, perdas ou traumas.
É importante ressaltar que constante aprendizado através de leitura e estudo de fundamentos é o que vai diferenciar os resultados no longo prazo.

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